quarta-feira, 18 de agosto de 2010

e se eu ganhasse?


Ultimamente, tenho sido bombardeado à noite com sonhos que me colocam sempre com uma pulga atrás da orelha, ou várias, dependendo do enredo. Sonho que sou perseguido, que estou defecando e mijando, que estou sujo, com parentes que já partiram desta vida, com lugares detalhados em que eu nunca estive (o famoso déjà vu), com relógios, números, animais e, principalmente, com a maravilhosa cidade de Salvador que tanto marcou a minha infância e começo da adolescência. Aliás, este é um sonho pra lá de recorrente. Já perdi a conta de quantas vezes sonhei o mesmo script. A não ser por algumas pequenas variações, o storyline é o mesmo:

Estou em Salvador e é véspera de voltar para Belo Horizonte. Estou em um apartamento na Pituba (bairro onde meus avós paternos tinham um imóvel, nos anos 80) e sei que preciso curtir até o último suspiro aquela bela cidade. Tenho certeza de que não fui à praia naqueles dias, desde a minha chegada. Mas sempre algo me atrapalha a "chegar lá". Ou é noite, ou está prestes a cair um dilúvio, ou tenho de fazer alguma coisa pela família: tipo ir à Barra, ao Elevador Lacerda... Aí resolvo que vou sozinho, mesmo que seja a pé, até a praia de Piatã (que eu sempre adorei). Às vezes, consigo colocar os pés na areia, tiro a blusa e o sol escalda a minha pele. Em certo sonho, consegui até mesmo entrar no mar! Mas na maioria das vezes, acordo quando estou ainda no asfalto, indo à caminho da praia, em meio ao trânsito caótico.

O fato é que eu não consigo chegar onde eu quero: o mar! Não sei o que este bendito sonho quer me dizer na prática, mas tenho certeza de que preciso me desvencilhar dos nós que me impedem de atingir meus objetivos nesta vida. E são tantos os nós... Quando penso que me livrei de um, outros surgem e atam-me como âncoras fortes. Até meus sonhos despertos me são mutilados pelas notícias e vivências do dia a dia. Quero fugir, mas não sei para onde. Quero ajuda, mas não sei a quem recorrer. Às vezes quero morrer, mas teimo em viver. E permito que o tempo faça das suas comigo, como uma pipa solta no ar, com a linha cortada, que dança ao sabor dos ventos e é tocada pra lá e pra cá até cair em algum lugar remoto. Portanto, resolvi acordado escrever meu sonho sonhado de um dia, tal como um mestre timoneiro, dar uma guinada na vida, neste mar de amplas possibilidades, ganhando em uma loteria (sorte que bilhões buscam atingir para alcançar o inatingível em suas vidas). Já retratei meio que isso em um post antigo, mas vale a pena colocar no "papel", como uma espécie de receita de bolo:

1. Largaria a publicidade, mas não sei se definitivamente (dicotomia);
2. Investiria o dinheiro (inteligência);
3. Pagaria todas as minhas dívidas bancárias e comerciais (honestidade);
4. Limparia o meu nome e o da minha esposa e voltaria a olhar nos olhos dos outros com orgulho (restituição);
5. Pagaria com juros tudo o que eu devo ao que se convém chamar de família (fim das humilhações);
6. Assumiria a educação da minha filha sendo grato ao colégio por tudo o que fez por nós (agradecimento);
7. Compraria um bom apartamento (conforto);
8. Equiparia ele todinho com itens de conforto e tecnologia (sou doido por isso);
9. Teria um canário belga cantador para eu admirar todos os dias o seu canto sublime (inspiração);
10. Compraria um bom carro (soberba);
11. Pagaria check-ups médicos para mim e para minha esposa e restituiria nossos planos de saúde (neurose);
12. Realizaria todos os tratamentos e procedimentos médicos que forem necessários para nossa saúde (cuidados);
13. Sairia de férias com minha esposa e minha filha. Salvador e Búzios (diversão);
14. Encomendaria com amor mais um filho (procriação);
15. Retornaria para a academia de ginástica após 8 anos longe (auto-estima);
16. Começaria uma pós-graduação, talvez mesmo em comunicação corporativa (conhecimento);
17. Iniciaria um curso de inglês (globalização);
18. Faria outros cursos variados: cachaça, culinária, mergulho, tiro, etc. (preenchimento);
19. Daria o ponta-pé inicial no meu projeto literário (sonho);
20. Planejaria um novo negócio ou retornaria à publicidade com um novo olhar e ânimo (empreendedorismo);
21. Procuraria ajudar a quem de fato precisa (sem essa de assistencialismo barato, mas dar a luz a quem precisa para enxergar uma possível saída do túnel).


Túnel... Passar por ele, se possível, sem um arranhão: esse é o meu objetivo. Incólume, apesar dos nós, das ervas venenosas, das almas penadas em vida, das tristezas, das decepções, das angústias, das amarguras, dos ódios, dos rancores, das inimizades, das insatisfações, das punhaladas pelas costas, das armadilhas, das lágrimas, dos gritos, dos descasos, das cicatrizes... Queria que tudo isso fosse substituído por uma palavra: felicidade. Temo que toda esta carga negativa que carrego comigo, imposta ou não, venha um dia a me cobrar pesado tributo. Mas, desperto, espero que não; e sonho com dias quem sabe melhores!

domingo, 17 de janeiro de 2010

menos é mais


Menos é mais, ao contrário do que muita gente pensa. Certamente, já lhe aconteceu em algum momento de sua vida o inverso. Quem sabe, não lhe esteja ocorrendo neste exato instante? É aquela velha história: você faz tudo e, em troca, recebe um bruto pontapé no traseiro. E de nada adianta lutar para mudar isto. Pode fazer das tripas coração, mover meio mundo (ou um mundo inteiro), tirar montanhas do lugar, remover oceanos e oceanos, e o resultado é sempre o mesmo: nada. Todo o seu esforço é pouco, ínfimo. O seu máximo vira o mínimo; e deveria ser o oposto. Meu avô, que Deus o tenha, me disse várias vezes: "quem tem quem lhe chore, morre todo dia". E não é que é verdade?! Simplificando: você dá a mão e o lado de lá quer o braço inteiro. Só sei que isto causa uma tremenda angústia, uma sensação desagradabilíssima de inutilidade. Às vezes sinto-me assim, como se eu fosse um soldado cercado. Por mais que eu combata para sair da armadilha, mais eu me vejo empurrado para dentro dela. Como um alemão em Stalingrado, ou um francês em Dien Bien Phu... Prisão ou morte? Qual a melhor escolha? Nenhuma delas, camarada! Deveria ser a liberdade que só o menos é mais traz para alguém; quando você passa a ter o seu devido valor, porque você resolveu se dar valor diante dos outros e/ou das instituições. Este é o pulo do gato. É quando as correntes se quebram, os elos se rompem em milhares de fragmentos de ferro. Se o conceito do menos é mais se impusesse nas relações, quaisquer que sejam, as coisas ficariam mais às claras, com menos hipocrisias e mentiras. Sobraria, ao final, a verdade, a facilidade. Não é preciso se estrepar para transformar uma realidade. É burrice. Há tempos, vi um anúncio de uma agência de publicidade que afirmava exatamente o contrário. Eles tinham prazer em dizer no texto, com gráficos e tudo, os casamentos desfeitos, os milhares de cigarros fumados, as inúmeras consultas médicas devidas ao stress, a vida social destruída... tudo pela felicidade do cliente. Tenho pena de quem trabalha em um lugar assim. Se eu fosse o cliente desses caras eu tiraria dali a minha conta. Não acredito em quem pensa que qualidade de vida é bobagem. E não gosto de gente que considera o esforço dos outros uma piada, obrigação. Eu quero o menos é mais na minha vida: menos stress, menos preocupações, menos chateações, menos falta de tempo, menos inimigos, menos tristeza, menos exploração, menos retrabalhos, menos imbecis ao meu redor, menos cobranças... menos. É mais!

sábado, 19 de dezembro de 2009

tudo se resume em sonhar grande


Dia desses, li no Twitter (aliás, meu twitter para quem quiser acessar é: www.twitter.com/totonhozaitsev) uma frase de um publicitário brasileiro famoso que dizia mais ou menos o seguinte: sonhar pequeno custa o mesmo que sonhar grande. Aquilo de alguma forma mexeu comigo lá no fundo. Analisei e cheguei à conclusão de que, sim, que era a mais pura verdade. Ora, a vida é feita de sonhos, não é mesmo? Então, se você sonha pequeno, sua existência nesta dimensão será do tamanho "P". Já se você sonha grande (não confundir com nefelibatismo), sua vida será o espelho disso. Talvez seja essa a essência da tal "Lei da Atração" que a Dani me disse recentemente. Por falar nisso, querida amiga, considere este post em sua homenagem. Eu sempre fui um sujeito sonhador, mas nunca saí desta esfera. Entre desejar (um dos produtos da "cadeia produtiva sonho") e realizar, eu acabava, consciente ou inconscientemente, preferindo a primeira parte. Até que eu ia lá e colocava meus sonhos no papel, mas de certo modo não agia, seja por pessimismo, negativismo, preguiça; whatever. Só sei que minhas realizações ficavam muito aquém do que eu gostaria. Mas, depois de ler aquela frase e concluir que custa o mesmo tanto sonhar pequeno ou grande, decidi pela segunda opção; e a partir de agora. Sem essa de esperar o 1º de janeiro de 2010 para começar a fazer alguma coisa, tomar uma atitude positiva... não. É agora, porque a vida não espera. É claro que, decidindo por essa tomada de rumo inusitada, os problemas e as dificuldades, as decepções e os momentos depressivos, não desaparecerão. Haverá tempestades no meu céu, com toda a certeza. Empecilhos, de qualquer espécie, tamanho ou forma são comuns, afinal. Mas é a maneira de se ver a vida, sob uma nova lente, que pode fazer com que estes momentos indesejáveis sejam, de fato, melhor superados e digeridos. Estou inclinado a acreditar nisto. Sério! Quero me dar o direito de sonhar grande e querer fazer algo de grande para todo o resto da minha vida, apesar dos pesares, a começar pela minha profissão. Mostrar meu valor, aparecer para o mercado, disputar prêmios, perder e ganhar, galgar posições. Tempo, competência e qualidade eu tenho de sobra, só me falta a oportunidade. E a oportunidade (um dos meus sonhos) vou buscar a unhas e dentes. É óbvio que ninguém deixa de ser pessimista de uma hora para outra, mas se tiver força de vontade a coisa toda muda de figura. Lembro-me que, em agosto de 2008, eu pesava cerca de 93 kg; bem acima do meu peso ideal. Sentia-me um saco de batatas, repugnante. Aquilo me incomodou de sobremaneira à época, a tal ponto de me levar a tomar uma atitude incisiva. Dei o "murro na mesa", por assim dizer. Hoje, com quase 74 kg, sinto-me bem melhor e feliz, sobretudo feliz. Mas quero ir mais além! Quero voltar para a academia (que larguei há uns 7 anos) e trabalhar meu corpo e minha cabeça. Este, por exemplo, é um dos meus vários sonhos. Pequeno para você? Não para mim. Não para quem se acostumou a pensar como se fosse uma espécie de "subumano", proibido de alcançar qualquer coisa de melhor na vida; inclusive pagar uma academia de ginástica! É absurdo se for parar para pensar, mas é a verdade! Tenho vários outros sonhos, de todos os tamanhos, mas agora com peso maior nos grandes, listados para perseguir já neste final de 2009 e nos anos seguintes.
É evidente: uma coisa de cada vez, uma conquista a cada dia, pensada, planejada e executada. Quem sabe poderei consquitar todos eles dentro em breve? Do contrário, a maioria. Se não der a maioria, que seja a metade, ou um, ou dois... ou três. Não importa! O objetivo de tudo isso é mudar o meu modo de pensar e de agir em relação à vida. É isso o que eu estou necessitando muito e trata-se do meu sonho imediato. Eu fiz a minha grande aposta. Todas as fichas estão na mesa. Pode rodar a roleta, Senhor Crupiê.

sábado, 12 de dezembro de 2009

o dia do perdão


Yom Kippur: o dia do perdão. Para começo de conversa, não tenho a menor intenção aqui de falar sobre esse momento religioso importante do povo hebreu, até porque eu não sou judeu, embora alguém, em algum momento lá atrás em minha história de vida, me disse que eu tenho lá minhas raízes escondidas em algum ponto da Península Ibérica há uns, sei lá, 400 ou 500 anos. Não importa. Muito menos vou entrar no mérito militar e abordar a guerra árabe-israelense de 1973 que se iniciou nessa data; com mais uma derrota humilhante dos árabes. Não se trata de nada disso, lhe asseguro. Quero falar de perdão! E eu não comecei com o Yom Kippur por acaso. Não há quem no mundo, a não ser os nazistas, os muçulmanos mais radicais e uns idiotas de plantão, que negue o holocausto e todo o pavor e vergonha aplicados a ele. É um momento da história para, ao mesmo tempo, ser lembrado e esquecido. O problema é que isto virou uma espécie de discurso (político, talvez?) interminável que gera inúmeros livros, exposições e filmes que revelam todo o terror vivido pelos homens, mulheres e crianças judias nos campos de concentração e nas beiradas das valas comuns espalhadas, sobretudo, na Europa Oriental, Rússia e Ucrânia. O resultado prático é a ruminação constante da barbárie cometida por um bando de imbecis, há 70 anos, que obriga todo um povo, anualmente, a vestir o manto da culpa e da vergonha e pedir, mais uma vez, perdão. Refiro-me aos alemães. Até quando esta geração e as gerações futuras da Alemanha democrática, plural e liberal, terão de render desculpas e mais desculpas pelo o que seus avós, bisavós e tataravós fizeram em um momento conturbado da Europa dos anos 30 e 40 do Século XX? O que esses meninos e meninas, homens e mulheres do pós-guerra, do pós-Muro de Berlim, têm a ver com isso? Para que tanta auto-humilhação e imolação? A quem isto serve de fato? Os alemães de hoje conhecem muito bem o seu passado negro, não é necessário lembrá-los disso a todo instante. Afinal, já não foram feitos inúmeros pedidos de perdão? Serão ainda poucos? Onde está o perdão verdadeiro? A Alemanha de hoje nada tem a ver com a Alemanha Hitlerista. Ponto! São outros tempos... O mesmo se dá aqui no Brasil. Séculos de escravidão, humilhação, crimes e sordidez plena contribuíram para o surgimento de um racismo com duas vertentes: branca e negra. Tempos atrás, uma revista revelou uma pesquisa impressionante: mais de 90% dos brasileiros possuíam algum tipo de racismo. Bem, se a maioria da nossa população é composta por negros e mestiços, segundo o IBGE, então só corrobora o fato de que estas mesmas etnias também desenvolveram seu racismo ao contrário. É tão claro como dois mais dois dão quatro! E daí surgem os antagonismos. Se um negro (ou afrodescendente, como queira) veste uma camiseta com os dizeres "100% negro", isto significará orgulho aos olhos dos outros. Mas se um branco, que nada tem a ver com o que os seus antepassados fizeram há 300 anos, resolver vestir uma mesma camiseta com os dizeres "100% branco" será tratado imediatamente como nazista. Estranho. É como se todos os brancos até o começo do Século XX tivessem uma clara ligação com a escravidão, verdadeiros Senhores de Engenho. E como ficam os imigrantes do período pós-abolição? Ora, o sujeito pode ser neto ou bisneto de imigrantes poloneses, alemães, ucranianos; ou seja, de fato branco. Ele não pode se sentir orgulhoso de sua raça? Por que para uns é orgulho e para outros é crime? É a inversão de "papéis" que deveremos aceitar calados doravante, a fim de "expiar" pecados? Até quando os brancos daqui terão de pedir perdão? Ou terão de se sentir culpados? Tal qual na Alemanha, vivemos uma outra época. E o melhor caminho para combater o racismo é a educação; e não é enfiando por lei na universidade os negros, mulatos, mamelucos, cafuzos e índios unicamente por sua cor de pele. Não! Isto é política rasteira de quem não quer, de fato, mexer no vespeiro. É demagogia da grossa para os trouxas verem e engolirem. A melhor educação do planeta, hoje, está na Coreia do Sul. Mas há 60 anos, de cada cinco sulcoreanos, três eram analfabetos. Foi preciso, via Constituição Federal, estabelecer um percentual do PIB do país a ser investido anualmente naquele setor. Isto levou 30, 40 anos para dar resultados, mas deu. Assim será no Brasil, se quisermos, para dentro de algumas décadas negros, brancos, índios e mestiços disputarem em condições de igualdade educação e empregos melhores. Utopia? Não! Por que funcionou para a Coreia do Sul arrasada por uma guerra entre irmãos, dividida, e não pode funcionar para nós? Se o assunto é perdão, vamos lá, então temos de pedir perdão aos índios por tomarmos suas terras e arrasado suas culturas (obras dos jesuítas e dos latifundiários); não só aqui no Brasil, mas em todo o mundo (uma orelha de um índio Comanche valia, nos EUA do Século XIX, trinta dólares). Temos de pedir perdão aos paraguaios por termos destruído sua fantástica capacidade industrial, dizimado sua população e seu país no Século XIX transformando-os, hoje, no que são. Temos de pedir perdão aos muçulmanos pelas barbáries cristãs cometidas nas várias Cruzadas, que de libertação da Terra Santa nada tinham: eram expedições de saque e massacre, "em nome de Deus". Talvez por isso que alguns árabes, palestinos e persas, vulgos terroristas islâmicos, nos detestem a ponto de jogarem aviões cheios de gente contra prédios ou explodirem bombas atadas em seus corpos contra multidões de "infiéis"; tudo também "em nome de Deus" (Alá)... Temos de pedir perdão aos africanos por dividirmos seus territórios, no período imperialista europeu, e criado "países" (colônias) sem levar em consideração tribos e etnias (daí os constantes genocídios no Congo que vemos nos noticiários de TV). Se é para perdoar, que se perdoe de uma vez por todas. Ou então, que sejamos partidários do perdoe, mas não esqueça. Mas sem hipocrisia!

domingo, 16 de agosto de 2009

lugar de estrela é no céu.


Quando o Oasis surgiu no cenário musical inglês, em 1994, - em plena ebulição do Britpop - muita gente torceu o nariz, não por causa do som ou das composições que eles faziam, mas pela postura que os caras adotavam. Conheço gente que tomou total antipatia da banda sem mesmo ter ouvido uma única de suas músicas. E esta repulsa, até mesmo dos críticos de então, se deveu à pretensa arrogância dos irmãos Gallagher. Noel e Liam promoviam, quem sabe gratuitamente, inúmeras tiradas estrondosas e disparavam suas línguas ferinas para todos os lados. Se autointitulavam a melhor banda do mundo, atrás apenas dos Beatles; detonavam publicamente outras bandas e músicos, como o Blur e Phil Collins; aprontavam altas quebradeiras em aviões e hotéis; fora as várias brigas e discussões dos irmãos, cancelando até mesmo turnês. A discussão se tudo isso era marketing ou não fica à parte aqui. Após mais de 10 anos de estrada, muita coisa mudou no Oasis. Integrantes saíram e outros entraram, um ou dois álbuns foram desastrosos, e chegou-se mesmo a cogitar, no mainstream, que os caras iriam largar tudo e seguir carreiras solo. Isto, de fato, acabou acontecendo... Mas o importante nisso tudo foi a natural evolução das coisas. Os irmãos foram ficando mais velhos e passaram a entender, consciente ou inconscientemente, que a época da infantilidade tinha passado em suas vidas. Não que eles deixaram de lado o fato de se acharem como melhor banda, mas o nível de "arrogância" despencou. Quem acompanhou de perto o Oasis sabe bem disso. É inegável que um dos motivos seja a paternidade de Liam. Após três filhos, o cara passou a ver a vida com outros olhos e a agir diferente. Tornou-se, inclusive, melhor letrista e compositor. E o Oasis, sem dúvida, voltou a apresentar bons trabalhos. Se na música isso acontece, em outras áreas também. No futebol, por exemplo. O Diego Tardelli de hoje - atacante do Atlético Mineiro, homem casado e pai de família - não é o mesmo de quando explodiu no São Paulo. Já talentoso à época, mas cheio de si, aprontava confusões e era indisciplinado. Chegou-se mesmo a pensar sobre o fim de sua carreira. Mas daí veio o Senhor Tempo, e os bons conselhos de alguns com a cabeça no lugar, e o cara se refez. Passou a jogar com seriedade utilizando seu talento para chegar à seleção. Como se percebe, talento e presunção (ou talento e arrogância) muitas vezes não levam a bons resultados. Na verdade, deveriam ceder lugar ao emprego do talento em conjunção com a humildade. Não a humildade no sentido pejorativo: igual à subserviência. Não se trata disso. Mas saber utilizar o talento para um ganho estratégico maior, em benefício próprio e dos outros; sim, dos outros, por que não? Infelizmente, há pessoas talentosas que se consideram estrelas em razão do sucesso alcançado, que têm o rei na barriga, que "cantam de galo", que julgam que todo mundo tem de pensar e agir como elas. Não admitem opiniões contrárias e acabam por tratar quem os repele como seres de menor valor, bem abaixo de si mesmas. É triste de se ver... Mais cedo ou mais tarde - é batata - o sujeito passa a entender que tudo isso é uma tremenda de uma bobagem. Ou então, continua a insistir no erro e dá com os burros n'água. Uma vez, li um ditado que dizia: "todo homem que é sério leva a vida dando murro, só mesmo no cemitério é que deixa de ser burro". É não é que é verdade? Conheci uns caras que se achavam os tais e que ninguém lembra mais deles depois que se foram desta para melhor (ou para pior, sei lá). A história está repleta de casos assim. Gente que, no final das contas, levou tombos homéricos; despreparada para o sucesso, para lidar com seu próprio talento. É aquela velha história: quanto mais você sobe, pior é a queda. Que o diga Ícaro (personagem mitológico grego), filho de Dédalo, que ao voar se sentiu um Deus, poderoso, e deslumbrado rumou em direção ao sol que derreteu a cera de suas asas. O resultado? Bem, você sabe. Des-lum-bra-dos. Essa é a expressão correta que retrata bem o jeito de ser dessas pessoas. No frigir dos ovos, e para a infelicidade delas, o fato é que somos todos poeiras estelares: não valemos nada sozinhos no cosmos. Valemos, sim, quando nos unimos e nos tornamos rocha. A arrogância está caindo de moda; se é que, em algum dia, esteve em moda. Tenho pena das "mangabas" que se julgam maduras, que caem e se esborracham no chão. Por infortúnio, quantos de nós convivemos com pessoas assim? Os senhores da verdade... O segredo é esperar que o tempo faça o seu trabalho. E ele fará. Como diria aquela passagem bíblica: há tempo para tudo. Procuro viver minha vida sem precisar pisar em alguém, ou me achar mais ou menos importante que fulano ou beltrano; sempre respeitando a opinião alheia, mas sem deixar de expressar o que eu penso, o meu ponto de vista sobre as coisas. A sabedoria é entender que tudo é passageiro, mutável. Uma hora você está por cima, outra você está por baixo, independente se seu talento é mais ou menos explorado. Sim, porque todos temos talento. É algo natural. Portanto, não se trata de uma divindade oferecida a alguns poucos e escolhidos (sortudos) mortais. É por essas e outras que eu detesto "estrelinhas", porque elas são a antítese de tudo isso, vivendo em um mundo egocêntrico. Faço minhas as palavras de minha avó: lugar de estrela, meu caro, é no céu.

domingo, 21 de junho de 2009

o pior dos homens.


Ele se mirou no espelho e se sentiu o pior dos homens. Abaixou o olhar por um momento e se fitou novamente; as lágrimas rolando pela face. Um leve tremor no queixo que ele evitou ir adiante sacudindo a cabeça, como que para espantar o pensamento ruim. Não. Ele não queria mais chorar. Cansara. Ninguém escutava o seu pranto interior. Nenhum mortal dava valor àquelas lágrimas, muito menos Deus. E ele acreditava em Deus, mas não acreditava em milagres. Seu tempo era diferente do tempo Dele, e isso o atormentava. Sentia-se, apesar de ainda jovem, cada vez mais velho por fora e, principalmente, por dentro. Todo o peso dos fracassos, dos erros, dos azares pareciam pesar toneladas sobre seus ombros. Sentia-se feio, horrível, decrépito. Perdia a graça de viver com o passar dos dias. Sua vida era uma rotina sem remédio. Da casa para o trabalho e do trabalho para a casa; se é que se podia chamar aquilo que lhe consumia até os ossos de trabalho. Assemelhava-se a um matadouro de gente, na verdade. Mas, pensava, antes aquilo do que nada. "Antes pingando do que faltando", raciocínio digno de um perdedor. Apostas erradas, sonhos reduzidos a pó, esperanças vãs... Mas continuava vivo, o coração batendo no mesmo compasso. Por quê? Sua mulher e seu filho vieram à mente naquele exato momento. Talvez seja por isso, ou por que ainda alimentava a fé de que tudo aquilo por que passava poderia ser revertido em dado momento, como em um passe de mágica. Milagre? Não, não acreditava nisso. [Contrassenso]. Lembrou-se, então, de ter lido alguém dizer que a sorte não sorri para os incompetentes. Então, como dois mais dão quatro, se considerou também um incompetente, já que não tinha tanta sorte na vida. Uma voz interior lhe dizia: "Mas você ainda está vivo e são. E quem já morreu? E quem tem de conviver com uma doença fatal ou incapacitante?" Novamente, vozes do nada, vozes perdedoras. De que adiantava ter saúde se não havia como saboreá-la ao longo dos dias? Sem dinheiro em um mundo capitalista onde o que importa, de fato, é ter. Se você não tem, meu caro, você não vale nada. Vale menos do que um berne na bunda de uma vaca. Lembrou do filho lhe pedindo um brinquedo e dizendo que iria rezar para o "Papai do Céu" Lhe rogando para o pai ganhar "dois dinheiros" para comprar aquilo que sonhava ter. E este pensamento entrou fundo em sua combalida alma como uma faca de lâmina comprida e afiada. A estocada doeu lá dentro, bem lá dentro. E não viu esperanças de que as coisas mudariam para melhor. Não havia respostas ao alcance da mão. Só a tristeza e uma vontade imensa de pôr um fim em tudo. Talvez fosse o melhor negócio... Melhor do que ver o filho crescer convivendo com inúmeras dificuldades e, mais tarde, se revoltar contra tudo e encará-lo como um fracassado. Ele já havia passado por isso quando criança. Sabia como era a sensação. Receber este rótulo do próprio filho seria uma sentença de morte em vida. Isso seria demais. Mas ele perderia, por outro lado, o prazer de vê-lo crescer e, quem sabe, ser alguém feliz na vida. Sim, este seria um resultado maravilhoso da teimosia de continuar a viver, apesar dos pesares, da desesperança, da humilhação, do sepultamento de inúmeros sonhos, da tristeza de sua mulher. Sentia-se impotente em uma tarde de domingo ensolarada e fria, em casa que não era a dele, com um carro na garagem que não era o dele, sem dinheiro no bolso, sem ter para onde ir. Pensou no filho sem amiguinhos para interagir, brincando sozinho; assim como ele há 27 anos. Até quando? Até quando? A barba por fazer lhe dava um aspecto ainda mais velho e um tom acabado. Sem exitar, cobriu-a com espuma e passou o aparelho de barbear. Enxaguou-o e olhou mais uma vez para sua imagem refletida no espelho. Se matar não era o melhor, por enquanto. Era preciso deixar o jogo ser jogado por mais um tempo... Covarde!

domingo, 8 de março de 2009

god save the queen.


Afinal, em qual lugar do mundo se faz o melhor rock 'n' roll? Difícil dizer? Não. Sempre tive em mente, desde criança, quando passei a gostar mesmo de música, que a Grã-Bretanha é o berço do que há de melhor em matéria de cantores, letristas, compositores e bandas. Duvida? É só listar! Neste post resolvi fazer isso e mostrar que quem manda neste cenário musical não são os americanos (criadores do estilo, com todas as honras). Definitivamente, a galera da "Terra da Rainha" sempre esteve à frente e tem história de sobra para contar. A começar, claro, pelo quarteto de Liverpool. Digo abertamente que os Beatles são um marco na história da música do Século XX. Não há como negar sua fantástica influência em tudo o que veio depois. Os caras estavam muito, mas muito à frente do seu tempo. Por exemplo: há determinadas composições antigas que você consegue identificar o período em que foram feitas. De 1962 a 1966 os Beatles se enquadravam nesta categoria: era a época do iê-iê-iê. Só que aí veio o ábum Revolver... brilhante sob todos os aspectos. Daí até 1970, quando o sonho acabou, surgiram músicas sem similar, e que se hoje você escutar parecerão recentes aos ouvidos. São contemporâneas. Por isso, acredito piamente que se uma pessoa não gosta de pelo menos uma única música dos Beatles é por que se trata de um(a) imbecil musical. Além dos Beatles, temos uma série de bandas e cantores incríveis que vieram das ilhas britânicas:

The Who (Pete Townshend), The Animals, The Rolling Stones, Pink Floyd (Roger Waters), Led Zeppelin, Jethro Tull, Dire Straits, Genesis (Phil Collins e Peter Gabriel), The Smiths (Morrisey), UB40, U2, The Cranberries, Oasis, Blur, Coldplay, Radiohead, Pulp, Inspiral Carpets (Noel Gallager era roadie nesta época), Simply Red, Simple Minds, Iron Maiden, Placebo, The Cure, Sex Pistols, Yardbirds, Cream (as duas com passagem de Eric Clapton), Portishead, The Stone Roses, The Verve, Bush, Tears for Fears, David Bowie, The Pretenders, Renaissance, The Clash, Black Sabbath, Joy Division, Siouxsie & The Banshees, Duran Duran, Def Leppard, Rhe Bluetones, The Police, Depeche Mode, Motörhead, Echo & The Bunnymen, James Blunt, Robbie Williams, George Michael, Elton John, Rod Stewart, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys, Queen, Deep Purple, Muse, Bee Gees, Talking Heads, Kaiser Chiefs, Keane, Travis, Amy Winehouse, Yes, Jimi Hendrix Experience (a banda é britânica!)... Ufa! Se eu esqueci de alguma outra grande banda britânica, perdoe-me. Mas se ainda quisermos colocar nesta relação o pessoal da Austrália (afinal, a terra dos cangurus faz parte da Commonwealth) teremos que acrescentar AC/DC, Men at Work, Inxs, Frente!, Silverchair, Icehouse e Midnight Oil.

Eu não quero, com esta relação, tirar o mérito das bandas americanas que são muito boas, mas não há tanta qualidade e quantidade assim para afrontar os "casacos vermelhos". Fazer o quê? É a mais pura verdade... Vejamos: REM, Aerosmith, Metallica, Guns n' Roses, Bob Seger, Bob Dylan, The Beach Boys, Elvis Presley, Nirvana, Pearl Jam, Foo Fighters, Green Day, Alice in Chains, Sonic Youth, Evanescence, Red Hot Chili Peppers, Rage Against the Machine, Blind Melon, Soundgarden, Smashing Pumpkins, Blink-182, B52's, Johnny Cash, Cake, Creedence Clearwater Revival, The Doors, Cypress Hill, Beck, Eagles, Faith No More, Megadeth, Mötley Crüe, Counting Crows, Soul Asylum, Queens of the Stone Age, Stone Temple Pilots, System of a Down, Velvet Underground (Lou Reed), Van Halen, Chuck Berry, Little Richard, Bo Diddley, Jerry Lee Lewis, Grateful Dead, Alice Cooper, Iggy Pop, Bon Jovi, Ramones, Bruce Springsteen, Hootie & The Blowfish, The Strokes, Live, Collective Soul, Electrafixion, Mad Season... Como se vê, nada de muito grandioso.
Agora, só para não passar batido, um pouco sobre o cenário tupiniquim. Essa teimosia ridícula de subdesenvolvido sulamericano de só compor e cantar na língua natal simplesmente castrou grandes possibilidades de apresentarmos grandes bandas brasileiras mundo afora. Só tivemos mesmo o Sepultura como exceção à regra... Enquanto isso, grupos do quilate dos Mutantes, Titãs, Legião Urbana (Renato Russo), Paralamas do Sucesso, Hanói Hanói, Barão Vermelho (Cazuza), Plebe Rude, Capital Inicial, Ira, Engenheiros do Hawai, Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Ultraje a Rigor, Skank, Raimundos, Pato Fu, Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, O Rappa, Charlie Brown Jr., dentre outros, só fizeram mesmo sucesso aqui e em alguns países mequetrefes, como Portugal e Argentina. É... êta mentalidade pequena!